segunda-feira, 1 de março de 2010

O mundo continua amando o que é seu

“ Se vós fósseis do mundo, o  mundo  amaria  o  que  era  seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece”  João 15: 19

Terça-feira a noite, depois do culto de doutrina, dirigi-me ao ponto de ônibus como costumeiramente faço, hora de voltar para casa.
Enquanto esperava o coletivo, um senhor de meia idade falava irritado para os que estavam à sua volta. Estava irado contra os crentes, dizia: “é um absurdo esses crentes darem seu dinheiro para a igreja, muitos deles não tem onde morar vivem na miséria, mas contribuem para a reforma da igreja, construção de templos, isso é inadmissível”.
Até o ônibus chegar, ouvi impropérios, palavras ofensivas, inverídicas, mescladas de ódio contra os servos do Senhor Jesus Cristo, só porque contribuem financeiramente com suas igrejas.
Não muito depois desse fato o Recife entrou no clima de carna- 
val. Nesse período vi algumas coisas que me fizeram lembrar daquele homem inconformado com as ofertas dos remidos do Senhor.
Neste ano a Prefeitura de Olinda liberou sete milhões de reais para o carnaval. A do Recife vinte e nove milhões. Destes, quatro milhões foram liberados para o “Galo da Madrugada” que a cada ano está ficando mais descaracterizado.
Pergunto: você ouviu alguma  crítica de  alguém inconformado porque tão alta quantia foi destinada ao maior bloco carnavalesco do mundo que já entrou para o livro dos records?
Você viu alguém revoltado acerca   desse   dinheiro   jogado fora que contribuiu para a promiscuidade e degradação no seu mais alto nível?
Você percebeu a devoção que essa imagem do galo, erguida em pleno centro da cidade do Recife, recebe? Todos querem vê-lo, fotografá-lo, tornou-se um deus. Arrebanha milhares de pessoas à sua volta num culto regado a muito álcool. Este ano arrastou um milhão e meio de devotos. Em uma das músicas que homenageia o galo da madrugada, uma composição de Almir Rouche que diz: “galo eu te amo, sem você não sei viver”.  Eliana Victório, uma jornalista da S.B.T declarou: “o galo até parece uma religião, os que vão ao galo é como uma profissão de fé”
Você ouviu algum folião reclamar porque estava pulando ao meio dia no asfalto escaldante, temperatura de quase quarenta graus? Mas esse mesmo folião não mede palavras para criticar o irmãozinho que sai para evangelizar nesse mesmo horário chamando-o de otário idiota.
Você ouviu alguma crítica aos nomes mais degradantes que são dados a certos blocos, cheios de insinuações maldosas num desrespeito sem limites à moral e aos bons costumes?
Uma apresentadora da TV disse: “são nomes sugestivos, é uma esculhambação, mas com respeito” Foi isso que você viu?
Eu não poderia deixar de mencionar que muitos participantes desses blocos são pobres. Passam o ano trabalhando, juntando, pedindo dinheiro para a confecção da fantasia, mas você não ouve ninguém criticando essa gente carente que destina parte do seu salário, do seu dinheiro minguado, para gastar na folia. Mas se um desses se converte e canaliza o dinheiro que dava antes a satanás para a obra do Senhor, receberão as críticas impiedosas dos filhos do maligno.
O Salmista já retratava esse tipo de gente quando escreveu: “O justo é liberal, dá aos necessitados... o ímpio verá isto e se enraivecerá rangerá os dentes” Salmos 112: 9-10
Você viu alguém irritado porque vários blocos desfilaram em plena segunda-feira antes do carnaval, e demais dias da semana, com caboclinhas pulando seminuas em plena luz do dia nas ruas mais movimentadas da nossa cidade? Dos homossexuais com roupas escandalosas e trejeitos mais escandalosos ainda recebendo os aplausos dos que estavam em pé na frente das lojas sem movimento?
Você viu algum protesto por causa do caos que se tornou a cidade com a mudança do trânsito? Mas é provável que alguns se sentiram incomodados porque um crente realizou um culto em frente à sua casa. Porque tiveram que esperar alguns segundos na rua enquanto o irmãozinho saia do estacionamento da igreja.
Você viu algum enfeite de carnaval depredado, pixado, rasgado, lançado ao chão?  Com certeza, não.
Mas você viu na quarta-feira os ônibus depredados, nosso meio de transporte. Foram 491 ônibus atingidos, R$ 87.000,00 serão os gastos para reparar esse prejuízo. Isso equivale a quarenta e sete mil passagens de R$ 1,85, valor que será repassado para a tarifa conforme informação de um funcionário do setor de transportes.
O revoltado do ponto de ônibus, lembra dele? Que criticava o irmão que dá sua oferta na igreja, vai pagar esses quarenta e sete mil reais junto com todos que são usuários desses coletivos.
Aconteceram 645 crimes no Recife e região metropolitana. Desses, 77 mortes.
Bem, para não parecer que sou tão pessimista assim, quero terminar com uma boa notícia.
As autoridades consideraram esses números como um saldo positivo  pois, segundo eles, no ano passado foi pior. 

Pr. José Vasconcelos da Silva Filho

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