segunda-feira, 10 de maio de 2010

Distinguindo entre as vontades ativa e passiva de Deus

R.C. Sproul

sproul6.jpg (10K) - Vontade de Deus
José afirmou sobre a traição perpetrada pelos seus irmãos: "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem" (Gen. 50:20). A vontade boa de Deus foi servida pela vontade má dos irmãos de José. Isso não significa que, porque eles estavam fazendo somente a vontade de Deus, os atos dos irmãos eram verdadeiramente virtuosos. Todos os atos devem ser julgados junto com suas intenções e as ações dos irmãos de José foram julgadas corretamente por Deus como sendo más. O fato de que Deus tira o bem do mal só enfatiza o poder e a excelência da sua soberana vontade decretiva.
Nós às vezes chegamos a este mesmo problema ao distinguir entre as vontades ativa e passiva de Deus. Mais uma vez nós enfrentamos dificuldades. Quando Deus é "passivo", Ele é, de certa forma, ativamente passivo. Não pretendo dizer tolices, mas somente mostrar que Deus nunca é totalmente passivo. Quando Ele parece ser passivo, Ele está escolhendo ativamente não interferir diretamente.
"O fato de que Deus tira o bem do mal só enfatiza o poder e a excelência da sua soberana vontade decretiva."
Agostinho abordou o problema desta maneira: "O homem, às vezes, com uma boa vontade, deseja algo que Deus não deseja, como quando um bom filho quer que o seu pai viva, enquanto Deus quer que ele morra. Da mesma forma pode acontecer que o homem com uma vontade ruim deseja aquilo que Deus deseja com justiça, como quando um mau filho quer que o seu pai morra, e Deus também quer a mesma coisa... Porque as coisas que Deus quer de maneira justa, Ele concretiza pela vontade má de homens maus."
Para meditar diante de Deus*: Você se lembra de quando Deus usou o que foi planejado para o mal para concretizar o bem em sua vida? Agradeça a Ele por essas ocasiões.
Salmo 139:8.10: " "Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá."
Salmo 31:3: "Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás."


* Nota do Tradutor: Sproul costuma utilizar um momento de reflexão mais pessoal (aplicação) ao qual ele dá o nome, em latim, Coram Deo (Diante de Deus, ou Na Presença de Deus). É um termo usado na teologia e que resume a idéia de viver na presença, sob a autoridade e para a glória de Deus. Para não confundir, resolvi substituir por "Para meditar diante de Deus".

Fonte: www.bomcaminho.com

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