quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Meditações em Colossenses.

Rev. João Ricardo Ferreira de França.

Capítulo 1.24-29:
24 Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja;  25 da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus:  26 o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;  27 aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória;  28 o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo;  29 para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim.
Introdução: O apóstolo após mostrar a necessidade de se ter Cristo como o centro da história da salvação; onde, Deus é revelado como o autor de nossa salvação, cristo é apresentado como nosso redentor – ele nos redimiu do pecado, e nos tirou de império de pura treva, pois, o seu reino conquistou o nosso coração. E isso nos leva para a realidade de Cristo é senhor do universo; mas aqui, Paulo passa a apresentar que Cristo é a nossa esperança. E aqui nós vemos um autêntico pastor querendo comunicar às suas ovelhas este evangelho; e ainda, vemos que Paulo nos oferece um vislumbre do ministério pastoral vejamos:
I – O verdadeiro Ministro sofre pela Igreja de Cristo (vs.24):
            Às vezes os pastores são questionados sobre o que mais os motiva no ministério? Alguns dizem que a facilidade com que os crentes estão crescendo na graça e no conhecimento; outros, sendo honestos com seus corações dizem que o valor monetário em muitos casos, outros a respeitabilidade que se consegue em ser pastor.
            Mas, na verdade o que deveria motivar um ministro do evangelho diz respeito ao fruto que o ministério pastoral, alicerçado em Cristo, pode provocar em nossos corações em nossas vidas:
1) Grande Alegria: Certamente é isso que quer dizer a palavra “regozijo” que aparece aqui no texto; uma das realidades que o ministério pastoral pode manifestar ao coração de um pastor – sem dúvida é alegria – cai,rw khairô-  é um verbo que está no modo do indicativo apontando para a certeza de que aquilo era algo certo de Paulo está fazendo; o segundo aspecto é que este é um verbo que está no presente, que demanda uma ação ininterrupta – contínua; era algo sempre presente no coração do apóstolo e pastor Paulo.
2) Grandes sofrimentos: Paulo lembra que esta alegria é algo conquistada e manifestada no meio dos mais duros sofrimentos “nos meus sofrimentos por vós”; o cristão é uma antítese do mundo, pois, o mundo não consegue sorrir em meio ao sofrimento, mas o cristão consegue porque Deus tem estado com ele. Mas, note Paulo não sofre pelos seus próprios sofrimentos, pelo contrário ele sofre pelo seu rebanho, pelo povo que Deus lhe confiou. Paulo julga que ainda não sofreu o suficiente por Cristo, e por isso, busca “preencher o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo que é a igreja” – ele sofre pela igreja, pois, é o corpo de Cristo.
II – O Verdadeiro Ministro é Mordomo de Deus na Igreja (vs.25-26):
; 25 da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus:  26 o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos;Como Paulo se via desta forma? Como ele se via como um mordomo de Deus?
1. Na compreensão de que o Ministério nasce na vontade de Deus: Paulo foi chamado para “servir – diaconos -“ a palavra ministro no grego é diácono – aquele que serve – mas, ele serve sob a “administração de Deus” –oikonomia tou theou- foi Deus quem decidiu que Paulo deveria servir , pastorear a Igreja de Cristo. O ministério é fruto da vontade de Deus, nunca devemos esquecer disso.
2. Na compreensão da finalidade do ministério: A finalidade do ministério pastoral deve ser “dar pleno cumprimento à palavra de Deus”. Ou seja, Paulo é chamado para servir a Deus na Igreja com finalidade de pregar, ensinar e admoestar a igreja na palavra de Deus – e o contéudo desta palavra deve ser a manifestação plena do mistério  que estava escondido, mas agora se revelou plenamente aos santos. Isto implica que o púlpito deve edificar a Igreja com a palavra de Deus.

III – O verdadeiro ministro se Dedica em ensinar na Igreja o mistério de Deus revelado (vs.27-29)
            A questão como o ministro do evangelho cumpre esta empreitada? Quando ele se dedica ao ensino, o que caracteriza este dedicar?
1) No Apresentar Cristo como a Esperança da Glória: A certeza de que estamos em Cristo, inseridos nele, alicerçados nele, temos a certeza de que o céu é o nosso destino certo e final. O autêntico pastor viverá para ensinar isso a sua igreja, era isso que Epafras estava fazendo naquela igreja, e Paulo relembra isso aos seus leitores.
2) Quando ele deseja a santidade da Igreja por meio do incansável ensino: Sendo Cristo o centro da mensagem do apóstolo, ele deveria sempre ensinar todo homem com plena sabedoria ( a aplicação prática do conhecimento). Qual é finalidade deste conhecimento? Tornamos-nos mais intelectualizados, letrados, não! Mas, para nos levar a perfeita varonilidade em Cristo; ou seja, o ensino do púlpito deveria atingir a santidade de vida!
3) No se desgastar para alcançar o santo objetivo: O verdadeiro ministro do evangelho se afadigará para que veja cumprida a santidade de vida na praticidade da igreja, e isto através da pregação do evangelho de Cristo, prioridade fundamental  na vida do ministro. Isto nos lembra o que disse um pastor de nosso tempo:
De que forma os membros da igreja podem encorajar seu pastor a fazer da pregação a sua prioridade?
            Empurrem-no para o seu escritório, tirem da porta a placa “Escritório” e substituam-na por outra que diz: “Sala de Estudos”.
            Tranquem-no com seus livros, sua máquina de escrever (computador) e sua Bíblia. Forcem-no a se ajoelhar diante dos textos, dos corações quebrantados, da inquietação de vidas de um rebanho dado à superficialidade e diante de um Deus Santo.
            Obriguem-no a ser o único homem da igreja que conhece o bastante acerca de Deus. Atirem-no para o ringue, a fim de boxear com Deus, até que ele aprenda quão pequenos são os seus braços. Coloquem-no a lutar com Deus todas as noites, permitindo que saia apenas quando estiver machucado e surrado, a ponto de ser uma benção.
            Fechem a boca desse homem, para que ele não seja continuamente um mero discursador. Impeçam sua língua de tropeçar em coisas não-essenciais. Exijam que tenha algo a dizer, antes de quebrar o silêncio. Queimem seus olhos com estudo cansativo. Desarticulem seu equilíbrio emocional com a preocupação pelas coisas de Deus. Façam-no trocar sua aparência piedosa por uma caminhada humilde com Deus e com os homens. Levem-no para se gastar para a glória de Deus.
            Desliguem seu telefone. Destruam suas folhas de avaliação. Coloquem água no seu tanque de gasolina. Dêem-lhe uma  Bíblia e amarrem-no ao púlpito. Ponham-no à prova, examinem-no, submetam-no a testes. Humilhem-no por sua ignorância das coisas divinas. Envergonhem-no por causa de sua boa compreensão de assuntos econômicos, de resultados de campeonatos esportivos e de questões sobre os partidos políticos. Gracejem de suas frustradas tentativas de ser um “psiquiatra”. Formem um coral, cantarolem e assediem-no, noite e dia, dizendo: “Pastor, queremos conhecer Deus”.
            Quando, por fim, ele subir ao púlpito, perguntem-lhe se ele tem uma palavra vinda de Deus. Se não, dispensem-no. Digam-lhe que vocês também sabem ler o jornal, digerir os comentários da televisão, avaliar os problemas superficiais do dia, lidar com as enfadonhas tendências da comunidade e abençoar o arroz e o feijão, melhor do que ele.
            E, quando ele proferir a Palavra de Deus, ouçam-no. Quando ele for inflamado pela flamejante Palavra de Deus, consumido pela ardente graça que o abrasou, quando for privilegiado de haver traduzido a verdade de Deus ao homem e, no seu final, for transferido da terra para o céu, sepultem-no de forma gentil. Toquem a trombeta emudecida. Ponham-no para descansar suavemente, colocando uma espada de dois gumes em seu caixão, e entoem um cântico de triunfo, pois, antes de morrer, ele se tornou um homem de Deus.
Por um Evangelho da Graça!
Soli Deo Glória!

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