sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ESTARIA A BÍBLIA MENTINDO?

 Apologia ao relato histórico de Gênesis, concernente a Criação, Teoria do
Caos, Dilúvio, Adão mítico e Adão histórico.

Sem. Marcelo Gomes

Muito já se discutiu sobre criacionismo e evolucionismo, embates homéricos já foram travados, tendo cada lado munido de suas teses vindas de um trabalho acurado de pesquisa e horas de elaboração de argumentos, e semelhantemente a soldados em guerra os oponentes se entricheram atrás de livros, manuscritos e todo tipo de documento que possa corroborar com a sua tese, e muito embora não haja mortos ou feridos nessa guerra, muitos “entregam” a sua vida, dedicando-se a defender o relato Bíblico sobre a criação ou acusá-lo de ser meramente um mito.
Percebemos que mesmo com o avanço da ciência e da tecnologia, cada vez mais este debate está em voga, tornando-se o cerne de muitas discussões, e ao que nos parece está longe de ser diferente, pois mudam os debatedores ao longo dos anos, mas permanece a pergunta: Deus criou todas as coisas ou elas são furtos de um grande acaso cósmico?
Citando uma frase do biólogo Edwin Conklin (24/11/1863 a 20/11/1952), desejamos tomar um lado nessa discussão vejamos que dizia ele: “A probabilidade de a vida ter surgido por acidente é comparável à probabilidade de um dicionário completo ser resultado da explosão em uma indústria gráfica”. Por certo não explanaremos a respeito deste assunto com tanto brilho como alguns que já defenderam o relato de Gênesis o qual trás em seu primeiro enunciado a frase definitiva para quem defende o criacionismo: “No princípio criou Deus os céus e a terra” Gn. 1:1.
Sim, por si só esta frase contida na Bíblia é suficiente para que passemos basear a nossa certeza de que a Criação de todas as coisas é fruto das mãos de Deus, pois o conceito que serve para denominar que toda a Criação de Deus se deu através apenas de sua vontade criadora “ex nihilo” (do nada) contrasta gritantemente da tão conhecida teoria evolucionista chamada de “Big-Bang” (em tradução livre, grande explosão), contrasta em todos os aspectos, pois a mesma tenta tirar de Deus a preeminência como criador de todas as coisas, formulando a sua teoria a partir de um acaso gerador de toda a vida existente.
Nós não tentaremos de forma alguma nesse pequeno tratado tentar convencer pessoas que derivam sua corrente de pensamento a partir da perspectiva evolucionista a mudarem de idéia, não que não tenhamos esse intuito no mais íntimo do nosso coração, mas na realidade não acho que irei trazer nenhum fato esmagadoramente definitivo que possa encerrar esta discussão de uma vez por todas, ao invés disso prefiro fortalecer aqueles irmãos que são bombardeados por “intelectuais” evolucionistas e apesar de não serem abalados na sua fé, querem defende-la, contudo não reúnem argumentos para refutar esta teoria que elege o “deus acaso” como maestro desta harmoniosa sinfonia chamada criação.

Ex nihilo nihil fit 

Nada surge do nada é uma expressão própria da filosofia de escrituras indianas, indicada com freqüência em sua forma latina como ex nihilo nihil fit, e que para alguns está em posição antagônica ao conceito ex nihilo, todavia não se pode desassociar a criação da pessoa de Deus que é eterno, portanto, o que fora criado do nada (ex nihilo) criou-se por intermédio daquEle que sempre existiu (o universo não sai do nada, senão de Deus) respondendo satisfatoriamente a pergunta: Como pode a existência provir da não-existência?
Esta mesma pergunta é a que todo evolucionista adoraria responder a luz dos seus pobres argumentos, sim, pobres já que os vieses pelos quais tem enveredado os debates em defesa da teoria evolucionista excluem a Pessoa de Deus.
“Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela”. Isaías 42:5 [Almeida corrigida e revisada Fiel]

Teoria do caos-criação

Esta teoria deriva-se da teoria do intervalo, contudo um pouco diferente na sua essência, ela goza de certa popularidade e pode-se dizer que sua linha de pensamento defende a existência de um Universo originalmente caótico, de onde parte a narrativa do livro do Gênesis.
Para Merril F. Unger e Bruce K. Waltke que popularizaram e a elaboraram essa tese, eles sentiram que algo faltava na teoria do intervalo tradicional, e esse “algo” era como diz o Profº John C. Whitcomb era a falta de sofisticação exegética, dizem eles que Genesis 1:1 “é um começo relativo e não absoluto”.

Bem, desde a minha mais tenra infância ouvi um ditado que diz: “em boca fechada não entra mosquito”, e o que é criado com essa nova teoria é o que muitos teólogos no afã de mostrarem sua habilidade fazem: Criam problemas e inconsistências teológicas. As criadas pela teoria do caos-criação não foram de menor magnitude do que outras anteriores.
Afirmar que Deus “organizou” o universo a partir do caos que nele havia (e não criou “do nada”), é negar Genesis 1:1, logo todas as Escrituras Sagradas são negadas, contudo o desconhecimento por parte dos principais nomes a frente desta teoria, introduz este estranho conceito ao Cristianismo, enquanto na tradição hebraico-Cristã este mesmo conceito (caos-criação) não existe, o povo de Deus sempre creu e crê que Genesis 1:1 afirma que a criação de Divina se deu a partir do nada e que a ênfase em qualquer princípio ou entidade metafísica que pretenda se comparar a Deus, seja caos, trevas, matéria ou qualquer outra coisa, é inválido, afirma Carl F.H. Hanry.
Dilúvio

Certamente o dilúvio é um dos assuntos mais atacados na Bíblia, talvez pelo mesmo motivo que fez dele alvo de chacota enquanto ainda era anunciado por Noé.
O homem é o mesmo, com sua inclinação a debochar e/ou desacreditar das coisas Santas, tal como os contemporâneos de Noé que não davam ouvidos aquilo que Deus viria a fazer por conta do pecado que havia tomado conta da face da terra, não mudaram, e ainda hoje, este homem permanece postulando teorias que sinceramente, seria mais fácil acreditar no que é claro como verdade Bíblica, do que continuar no caminho do engano, mas vejamos um fato interessante que visa desacreditar o relato Bíblico a respeito do dilúvio:

· A INFLUÊNCIA DA EPOPÉIA DE GILGAMESH NA ESCRITA DO GÊNESIS
(trasncrição do site: http://www.klepsidra.net/klepsidra23/gilgamesh.htm)

Comparativo dos relatos de Genesis e a epopéia de Gilgamesh de SANDARS.
“Caiu à noite e o cavaleiro da tempestade mandou a chuva.(...) Por seis dias e
seis noites os ventos sopraram; enxurradas, inundações e torrentes assolaram
o mundo; a tempestade e o dilúvio explodiam em fúria como dois exércitos
em guerra.” (SANDARS, 1992, p. 151-153).
“… nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as portas do
céu se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e
quarenta noites”. (GENESIS, cap. 7, ver. 11-12).
“… agora eles (humanos) flutuam no oceano como ovas de peixe”. (SANDARS,
1992, p. 152).
“Assim foram exterminados todos os serem que havia sobre a face da terra
…” (GENESIS, cap. 7, ver. 23).
“Na alvorada do sétimo dia o temporal vindo do sul amainou; os mares se
acalmaram, o dilúvio serenou”. (SANDARS, 1992, p. 153).
“Deus fez soprar um vento sobre a terra e baixaram as águas. Fecharam-se as
fontes do abismo e também as comportas dos céus, e a copiosa chuva do céu
se deteve”. (GENESIS, cap. 8, ver. 1-2).
“Eu então abri todas as portas e janelas, expondo a nave aos quatro ventos.
Preparei um sacrifício e derramei vinho sobre o topo da montanha em
oferenda aos deuses”.(SANDARS, 1992, p. 153).
“Então Noé removeu a cobertura da arca, e olhou, e eis que o solo estava
enxuto”.(GENESIS, cap. 8, ver 13).
“Levantou Noé um altar ao Senhor, e, tomando de animais limpos e de aves
limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar”.(GENESIS, cap 9, ver 20).

Seria descabido querer discutir este assunto tão profundo neste pequeno espaço, porém farei menção ao livro de Paul Hoff, o Pentateuco, que pra mim foi definitivo sobre este assunto: “Tem sido encontradas em diferentes continentes tradições que aludem a um grande dilúvio, inclusive detalhes da destruição de toda a humanidade, exceto uma única família e a escapatória em um barco. A famosa epopéia de Gilgamesh, poema babilônico, contem muitas semelhanças com o relato Bíblico, embora seja politeísta em seu enfoque. Parece que o dilúvio deixou uma impressão indelével na memória da raça, e que as tradições, por mais corrompidas que estejam, testificam do fato que houve um dilúvio”. Paul Hoff [Pentateuco, Vida – 2010 - pg. 14].
Fica difícil se estabelecer um diálogo quando um dos lados é predisposto a não dá o devido mérito a argumentação do outro, nesse caso, todos os evolucionistas, ateus, racionalistas e etc. preferem crer que o livro do Genesis foi influenciado pela epopéia de Gilgamesh do que o contrário.
O povo de Deus inegavelmente valorizava a tradição oral, que foi imprescindível para a transmissão da vontade dEle, portanto tudo indica que ao transmitir a sua história oralmente em terras estrangeiras o povo de Deus além de perpetuá-las entre o seu povo, influenciou os outros povos, que por sua vez se encarregou de dar o seu toque pessoal ao relato, trazendo para a sua cultura e elegendo os seus heróis.

Adão Mítico

A evidência bíblica da existência real e literal de Adão é tal forte que nos perguntamos como essa verdade é rejeitada por muitos ”teólogos e eruditos” principalmente no século XX?
Isso aconteceu desde o século XIX porque eles rejeitaram primeiro a Bíblia como revelação
inspirada e inerrante de Deus.
Essa versão de Adão, segue a linha do Modernismo e Liberalismo Cristão, que acredita que para chegar à verdade, o ponto de partida é a autonomia humana. Sendo assim, crê que a Bíblia é falível, ou seja, homens devem aplicar técnicas “científicas” a esses documentos falíveis contidos nos relatos bíblicos.
Mas, os argumentos para o Adão mítico ou parabólico não são baseados numa
exegese bíblica aceitável. Simplesmente impõem ao texto seus paradigmas altamente críticos.
O que falar das genealogias, pois o nome de Adão se encontra em todas as genealogias direta ou indiretamente, através de seus netos ou contendo o seu próprio nome referido.
A raça humana descende de Adão. Para melhor argumentar sobre o assunto, temos a genealogia de Jesus até Adão, relatado no evangelho de Lucas 3.23 – 38. Se Adão não existiu verdadeiramente, como ficam todos os personagens relatados nessa genealogia? São todos eles também uma lenda, pois descendem de um mito (Adão)?
E, sobre o pecado como explicar a presença enraizada dele no ser humano, se Adão o homem que foi o meio de entrada do pecado no mundo, foi um mito? E, o plano redentor e
salvador, teria sido tudo uma farsa? Porque sendo o homem (Adão), quem multiplicou e propagou a terra, trouxe o pecado ao mundo através de sua desobediência, um mito ou parábola ou estória, não se faria necessário o sacrifício da Cruz de Cristo Jesus (o segundo
Adão, perfeito), para salvar e tirar o pecado do mundo que o primeiro Adão colocou.
Afirmar, que Adão foi e é um mito é dizer que a Bíblia e todo o plano do Deus-vivo são falíveis e mais uma mentira. É atingir todos os atributos de Deus. É mais dificultoso argumentar, reunir relatos que provem ter sido Adão um mito, do que falar facilmente e comprovadamente da historicidade do homem Adão.

Adão Histórico

Adão foi o primeiro homem a ser criado por Deus, antes dele nenhum outro (Gn 1 e 2).
No primeiro capítulo mostra que o homem foi criado para completar a perfeita criação de Deus, depois a mulher. E, o capítulo segundo do Gênesis, relata os detalhes da criação do primeiro homem e da primeira mulher.
Os “críticos” não querem aceitar o registro histórico da Bíblia. Sempre dizem que se existem dois registros paralelos, a Bíblia é quem copiou e não o contrário. Como por exemplo, o rei Davi, diziam “não ter existido, pois não era mencionado fora da Bíblia, nem existem provas sobre ele”. Porém, Davi é mencionado na Bíblia mais de mil vezes. O mesmo faz com a historicidade de Adão.
A Bíblia ensina que Adão, o primeiro homem, foi criado por Deus há pouco mais de 6.000 anos atrás. A genealogia de Adão a Jesus Cristo é claramente indicada no registro bíblico.
(Gn 5.1 – 32; I Cr 1.1 – 27; Mt 1.1 – 17; Lc 3.23 – 38). A Bíblia dá atenção específica à cronologia. Ela fornece um relato cronológico que permite uma contagem metódica do tempo, remontando ao início da história humana. Esse cálculo aponta para o ano 4026 a.C. como o
ano em que Deus criou Adão. Uns 2.000 anos mais tarde, nasceu Abraão. Daí se passou outros 2.000 anos até o nascimento de Jesus.
Todos os seres humanos são ligados a Adão como pai da raça. “Em Adão todos morrem” (ICo 15.22). Podemos observar também como toda a nossa raça participou do primeiro pecado.
Diz o livro “Criação ou Evolução”, de Henry Morris, página 23: “O relato bíblico da criação do homem não foi desacreditado de modo nenhum. Foi simplesmente rejeitado!” A ciência tem demonstrado que a substância do corpo humano contém os mesmos elementos químicos do solo. O nome Adão em hebraico “homem” é semelhante à Adama “solo”.
É preciso considerar que essa rejeição da historicidade de Adão é fundamentada em axiomas seculares e apóstatas. Esses homens que são contrários ao Adão histórico, não formulam suas teorias de forma objetiva e isolada. Eles necessitam de um ponto de partida e têm suas pressuposições. Por isso, ignoram e rejeitam as abundantes e claras evidências
bíblicas de que Adão foi uma figura histórica, literal e real.

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