segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Musica Sacra ou profana - Parte 2


 
E cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és  digno de  receber o livro e de abrir os selos; porque foste morto e, com teu sangue, resgataste  para  Deus, homens de todas as tribos, línguas, povos e nações Apocalipse 5.9

Uma   música  litúrgica  será sacra em espírito e verdade, se estiver voltada para celebrar Aquele que é digno de todo louvor.
A música sacra, portanto, é diferente da música profana por três características:

1. A música sacra é sacra quando é oferecida a Deus.
A música é sacra cristã quando é uma expressão de culto a Deus, em reconhecimento pelo que fez, faz e fará na vida dos Seus filhos. Por mais bela que seja, mas se estiver a serviço de uma causa, de uma idéia ou de uma pessoa, a canção não será sacra. Se pudéssemos perguntar a Deus que música considera sagrada, Ele nos responderia.  Sua resposta talvez fosse diferente da nossa: na nossa, os quesitos formais e emocionais estão em primeiro lugar. Para ele, o coração do adorador é o que importa. E este só Ele vê. Isto não quer dizer que a canção sacra não precisa ser bela.  Precisa, porque o adorador  ama  tanto ao  seu Senhor que não se alegrará com uma canção que não seja a mais perfeita que possa executar, tendo que ensaiar, estudar, aperfeiçoar permanentemente, como se ela viesse a ser objeto de uma crítica severa.
Quando um cantor sacro entoa uma música, sua oração em segredo deve ser: Oh, Senhor, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei a ti e louvarei o teu nome; porque fizeste maravilhas, os teus conselhos antigos [permanecem] em fidelidade e em verdade (Isaías 25.1).
Quando cantamos ou tocamos, em casa ou na congregação, devemos oferecer nossas vozes ou nossos dedos a Deus.
Só pode oferecer música a Deus quem já ofereceu sua vida a Ele. A este, Ele purificou com o sangue do Seu Filho Jesus Cristo. Toda vez que uma pessoa toma esta decisão, passa a cantar com vigor novo, tenha ou não habilidades. É um cântico que sai do interior, de um interior limpo. O ideal da música pura se torna possível quando aquele que a oferece aceita o oferecimento de Jesus Cristo na cruz. No Antigo Testamento, os sacerdotes e os músicos tinham que se purificar cerimonialmente e depois purificar o povo e o templo (Neemias 12.30). Hoje, o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado, sem nenhum sacrifício nosso, sem nenhum cerimonial, senão o sacrifício do coração, o quebrantamento do coração.
Quem, então, pode "produzir" música sacra? Quem tem o coração sacro e oferece sua música Àquele que o transformou.
A música sacra cristã é o derramamento do coração do homem diante do coração de Deus.

2. A música sacra é sacra quando aponta para Deus, mesmo quando fala das nossas dores e alegrias humanas. 
A música sacra cristã é o derramamento do coração do homem sobre o coração de Deus. O músico cristão quer revelar o coração do seu Senhor.
Por isto, música sacra cristã é aquela música realizada pelos que nasceram de novo. Nascidos de novo são aqueles que entoam o novo cântico, cuja letra é: Digno és, Senhor, de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra (Apocalipse 5.9-10).
Quando instruiu os patriarcas, Deus lhes disse: Escrevei para vós outros este cântico e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel (Deuteronômio 31.19).
Precisamos de músicas que, apontando para Deus, nos seduzam a amá-lO.
Precisamos de músicas que, apontando para Deus, nos desafiam a ser santos.
Precisamos de músicas que, apontando para Deus, nos ensinem a confiar nEle.
Precisamos de músicas que, apontando para Deus, nos convençam da justiça de Deus. Em seu cântico, Débora instrui: À música dos distribuidores de água, lá entre os canais dos rebanhos, falai dos atos de justiça do Senhor, das justiças em prol de suas aldeias em Israel. Então, o povo do Senhor pôde descer ao seu lar (Juízes 5.11). Numa outra versão, o compromisso fica mais claro: Mais alto que a voz dos que distribuem água junto aos bebedouros, recitem-se os justos feitos do Senhor, os justos feitos em favor dos camponeses de Israel. "Então o povo do Senhor desceu às portas" (Juízes 5.11).
Numa outra versão, o compromisso fica mais claro: Mais alto que a voz dos que distribuem  água junto  aos  bebedouros, recitem-se os justos feitos do Senhor, os justos feitos em favor dos camponeses de Israel. "Então o povo do Senhor desceu às portas" (Juízes 5.11).
Se você sai de um culto, apaixonado por Deus, nele a música foi sacra. Se as canções que ouviu ou entoou desafiaram você a mudar, elas são cristãs. Se você volta para o quotidiano da vida mais seguro do poder de Deus, você adorou em espírito e em verdade. 

3. A música sacra é sacra quando expressa um compromisso de vida.
Que música Deus aceita? Aquela que fala a Ele. Aquela que fala sobre ele. Aquela que traduz o compromisso de Deus com a vida e o compromisso dos seus filhos com o compromisso de Deus.
O profeta Amós conviveu com uma música sacra bem elaborada, profissionalizada até. No entanto, ele chama de barulho aquilo que o povo chamava cântico sagrado. (Amós 5.23-24). Música sacra não é para ser consumida, mas para ser vivida.
                       

Artigo de Israel Belo de Azevedo
Pastor e Diretor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil

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