sexta-feira, 25 de março de 2011

O resultado da preguiça



“Passei  pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto de entendimento; eis que tudo estava cheia de cardos, e a sua superfície coberta de urtigas,  e a sua parede de pedra estava derribada”  Provérbios 24: 30,31

A vinha  do  campo do preguiçoso apresentava dois grandes males, estava cheia  de cardos  e urtigas  e  a  parede estava derribada.
Podemos tirar deste texto uma grande lição para a nossa vida, pois a preguiça é tão nefasta a vida material como a vida espiritual.
Qual foi o resultado da preguiça? O resultado foi que depressa os cardos começaram a aparecer. A preguiça espiritual faz com que os cardos comecem a aparecer na alma, começa a manifestar-se como aquilo que machuca outras vidas, críticas, censuras, palavras insinuosas, atitudes que ardem como urtigas na vida dos outros. Triste estado para uma vinha.
A parede também foi derribada, deixando entrar quem quisesse na vinha, já não era reservada exclusivamente para o dono.
Espiritualmente, Deus faz a mesma coisa quando salva uma alma, há uma parede de separação entre Ele e o mundo com o seu pecado e costumes.  “Eu estou  crucificado para o mundo e o mundo para mim” disse o apóstolo Paulo, havia uma parede de separação.
A preguiça, indiferença, falta de vigilância, deixará que essa parede seja escalada; há uma aproximação com o mundo, não há severidade para com aquilo que se considerava mundano e, pouco a pouco, a parede se desfaz e em vez de a vida ser apenas para o Senhor, o mundo está a pisar, esmagar, comprimir a vinha e os seus prazeres já fazem atalhos através dela. Enfim, a vinha já pertence a uns pouco e cada um tem direito sobre ela, porque já não há santificação. A preguiça espiritual porá a vida à mercê de tudo e de todos.
O sábio Salomão ainda disse que, “O preguiçoso esconde a mão no seio: enfada-se de levar à boca” Pv. 19:24.
Por mais estranho que pareça, aqui é o caso de um homem que é preguiçoso demais para comer, para se alimentar. Talvez confiava que alguém lhe pusesse o comer na boca. É isto que acontece muitas vezes na vida espiritual de alguns, confia-se em reuniões e na exposição da Palavra de Deus como o único alimento da alma. Isso, sem dúvida alguma, é bom, mas nunca pode substituir a comunhão pessoal com o Senhor por meio de oração e meditação da Palavra de Deus.
Há muitas pessoas que têm preguiça de alimentar-se espiritualmente sozinhas. Não leem a Bíblia, não oram, não passam por um momento a sós com Deus. Isto é preguiça espiritual. É mais fácil ir à igreja e deixar que o pregador ponha a comida em suas bocas, já digerida, por que elas têm preguiça  de  mastigar e mastigar bem. A confiança demasiada naquilo que se recebe por meio de reuniões pode conduzir a preguiça espiritual. O pensamento de não ser preciso tanta oração ou meditação pessoal.
É muito mais fácil assentar-se a ouvir o resultado da meditação de outros do que colocar-nos  diante do Senhor para recebermos o alimento de que precisamos.
Quando o crente chega ao estado de se enfadar, de “levar a mão à boca”, está deslizando pela caminho da apostasia e morte.
Finalmente Salomão disse que, “como vinagre para os dentes e fumo para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o mandam” Pv. 10:26
Como o fumo irrita os olhos e o vinagre os dentes, assim o preguiçoso é uma constante irritação para aquele cujo serviço ele está.
Não é que não obedeça, obedece a tudo, mas a seu tempo. Faz tudo o que lhe mandam, mas a seu tempo. Temos feito assim espiritualmente? Ligamos pouca importância à Palavra do Senhor e aos mandamentos que são tão claros? É óbvio, não dizemos que não obedecemos, mas, como o preguiçoso, precisamos de muito tempo para pensar no assunto e muito mais tempo para o pormos por obra. Ele, o Senhor, quer uma pronta e alegre obediência a tudo quanto ordena, sendo Ele o Senhor da nossa vida, dá-lhe direito a isso.

Pr. José Vasconcelos da Silva Filho
Pastor da IPF do IPSEP-Recife-PE
Professor do Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil - Recife
Nosso pastor e colaborador.

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