quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie! (Não sou Charlie!) Nem poderia ser!

Apesar de estar atônito com o repugnante ato de violência promovido por um grupo de "islamoloucos" e de estar imensamente revoltado com a covardia desse ato, pois o mesmo ceifou vidas inocentes e executou friamente pessoas que não poderiam (e talvez nem iriam) se defender, temo que a afirmação que hoje virou "moda" entre os pseudo-intelectuais "Je sui Charlie", ou "Eu sou Charlie", esteja sendo usada como tentativa apenas de se solidarizar com as vitimas desse crime brutal, sem que haja uma reflexão mais profunda de todos os aspectos pertinentes a que ela representa.

Como diz uma frase comumente atribuída a Voltaire "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-lo." Entendo que todos podem e devem expressar sua opinião sobre qualquer coisa, até mesmo que isso não seja um pensamento unanime, e também sei que sobretudo e principalmente a religiosidade (ou religiões) está longe de ser também uma unanimidade, mas o que me move a escrever a respeito desse assunto é o fato de que nós temos a mania de nos envolvermos em comoções publicas e irmos como folhas ao sabor dos ventos do "politicamente correto", incorporando frases e ideologias que nem mesmo conhecíamos outrora.

Creio sinceramente que a maioria de nós não é "Charlie", pois se voltarmos nossos olhos para a historia da Charlie Hebdo veremos que não só de ataques a maomé era composta a suas publicações, mas também de sexismo, intolerância religiosa, racismo, desrespeito a pessoas publicas e pornografia.
Eles tinham o direito de atacar as crenças e as posições politico-sociais constituídas? Afirmo que SIM! Esse é um direito que foi dado a todos, e mal utilizado por muitos.

Não obstante ao direito inalienável da tão atualmente conclamada "liberté d'expression" ou liberdade de expressão está o direito de questionar até que ponto essa liberdade é uma genuína expressão livre, ou uma provocação gratuita afim de trazer para si a imagem de "libertários" quando na verdade não passam alguns de "debochados crônicos", sinceramente pra mim, converter as publicações da Chralie Hebdo em primor da charge politica, é o mesmo que transformar o Casseta e Planeta em ícones da ideologia politica Brasileira por satirizarem os presidentes e os escândalos tupiniquins! Ambos querem fazer graça, querem debochar e fazer rir, só! Cabe a nós dar a devida importância ao que pode definitivamente mudar as coisas efetivamente, e definitivamente o humor pode ilustrar a situação por um prisma mais ameno, mas e irrelevante nas decisões práticas.

Por fim, e pra mim o mais importante, não sou Charlie porque eu não me alinho com quem tem como objetivo atacar frontalmente tudo aquilo que eu mais prezo e respeito, não tenho comunhão com quem deliberadamente e conscientemente tenta macular a imagem dAquele que deu Sua preciosa vida por mim, não digo que tenho o nome de quem tinha por meio de vida procurar maneiras de ser cada vez mais "cortante" em sua concepção do que pra mim é Divino! (Haja visto a ilustração abaixo que ao meu ver é impublicável, pois satiriza

repugnantemente a trindade em um ato sexual).


Contudo, sei que Charlie Hebdo não é uma pessoa, e sim um negócio, um local onde ideias são colocadas no papel. Portanto ninguém recebeu a triste e desesperadora noticia de sua morte, ninguém neste momento está pranteando sua perda, ninguém sentirá a sua falta em datas significativas, ninguém sentirá sua ausência ao lado na cama, na mesa de jantar, na sala com as crianças...

Por isso, ao invés de me solidarizar com algo, prefiro faze-lo com quem! Quem de fato fará falta, e nesse momento de dor e sofrimento de doze famílias...

JE SUIS...

Stéphane Charb, Wolinski, Jean Cabu, Bernard Verlhac, Phillippe Honoré, Bernard Maris, Mustapha Ourad, Elsa Cayat, Franck Brinsolaro, Ahmed Merabet, Frédéric Boisseau e Michel Renaud.


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